por Chico Mello
E é isso mesmo. Os militares bolsonaristas, sejam eles da ativa ou da reserva que se envolveram não somente com a tentativa de golpe mas, e principalmente com "deus, pátria e quadrilha" precisam sim serem punidos. É isso que afirmam João Filho e Marcelo Pimentel e nós perguntamos: onde assinamos?
A relatora da CPMI do Golpe atenta contra a nossa inteligência. Ora se atenta!
A abordagem da questão se dá através da matéria de João Filho(²) no The Intercept Brasil quando afirma com todas as letras, inicialmente sobre a fala, desprovida de qualquer bom senso dela, a senadora Eliziane Gama, do PSB do Maranhão e relatora da CPMI do Golpe, que afirmou em entrevista que a cúpula das Forças Armadas salvou o país de um golpe de estado: “Acho que as Forças Armadas no Brasil hoje, o Alto Comando, a instituição Forças Armadas impediu um golpe no país. A instituição como um todo não se curvou, não aceitou, na verdade, essa provocação, e tanto que nós não tivemos um golpe no Brasil”.
Nossas perguntas, nesse caso, são simples: 1) ela seria apenas "ingênua"?, 2) seria desprovida de "bom senso"?, ou 3) estaria ela apenas tentando "tirar seu fiofó da reta"? Então o que seria?
Já o título da matéria é sim bastante claro e objetivo: "Militares precisam ser punidos com Jair Bolsonaro para enterrar o golpismo"...
Quanto à isso, entre outras coisas, e outras aberrações, o link que direciona à essa matéria está disponível logo abaixo...
Por outro lado, e igualmente quanto à isso, a opinião contundente é dele, Marcelo Pimentel JS(¹) que esclarece com bastante propriedade;
Acompanhe,
Bolsonaro ser preso (e o seria num quartel do Exército), hoje ou proximamente, poderia ser uma excelente situação para o Partido Militar, por várias razões.
1) A imprensa “esqueceria” os generais que o inventaram presidente e governaram o Brasil desde 2016.
2) Os jornalistas, políticos e acadêmicos “esqueceriam”, também, algo de que nunca “lembraram”: o 8/1 foi incubado pelo Alto Comando nas áreas militares defronte aos quartéis por 70 dias.
Afinal, segundo o articulista do @TheInterceptBr, o foco são “os militares [que] precisam ser punidos com Jair Bolsonaro para evitar o golpismo”.
O “foco” não diz quem são os militares [a serem punidos pelo “golpismo”], não define “golpismo” e coloca o sentido da ação (política e/ou judicial) sobre o “sintoma”.
O problema, que causou o “sintoma”, e deveria ser o foco, são as cúpulas hierárquicas e seus protagonismos políticos - o Partido Militar.
3) o capitão estaria sob absoluto controle de que seria responsável pela execução da prisão, em certa medida, como esteve quando candidato a presidente com seu domicílio eleitoral sob intervenção militar de - olha só! - seu candidato a vice: o gen Braga Netto (AMAN 1978 e Ministro da Casa Civil na ativa).
4) A esquerda teria uma falsa sensação de “vitória”, o que lhe deixaria confiante para 2024 e 26 (confiança leva ao relaxamento e o relaxamento, à surpresa e a derrota).
5) Estaria aberta a montagem dos palanques para as próximas eleições.
A disputa pelo eleitor de Bolsonaro levaria a maior parte das lideranças políticas de esquerda, especialmente as acomodatícias com elites civis e militares, para a direita - o campo ideológico do Partido Militar - em busca, até, de alianças com a bancada militar, que, ao contrário do que muita gente pensa, ampliou sua representação no legislativo em todos os seus níveis!
Estaria normalizado, naturalizado e institucionalizado o protagonismo político de cúpulas hierárquicas das Forças Armadas - o Partido Militar ad hoc.
Aí, virão dizer ou pensar: “ah! Mas os militares são burros, não teriam como fazer essas maquinações”!
O que eu posso falar?
(...)


